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Universidade em Sorocaba usa museu de animais 'empalhados' para ensino e pesquisa; entenda técnica e legislação

Acervo de animais empalhados reúne exemplares usados em estudos na Universidade de Sorocaba (Uniso) Arquivo Pessoal Recentemente, o jogador Erling Haaland, vir...

Universidade em Sorocaba usa museu de animais 'empalhados' para ensino e pesquisa; entenda técnica e legislação
Universidade em Sorocaba usa museu de animais 'empalhados' para ensino e pesquisa; entenda técnica e legislação (Foto: Reprodução)

Acervo de animais empalhados reúne exemplares usados em estudos na Universidade de Sorocaba (Uniso) Arquivo Pessoal Recentemente, o jogador Erling Haaland, viralizou nas redes sociais após retornar à Noruega e desembarcar de um avião com um souvenir inusitado: um guaxinim empalhado. A taxidermia, popularmente conhecida como empalhamento, é uma técnica que mistura arte e ciência para preservar a forma do corpo e a pele de animais que morreram por causas naturais ou acidentais. Os exemplares podem integrar museus, compor ambientes decorativos ou servir como memorial para animais de estimação. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Museu expõe acervo de animais empalhados e permite toque de visitantes Na Universidade de Sorocaba (Uniso), por exemplo, um acervo de animais silvestres taxidermizados é utilizado como ferramenta de ensino e pesquisa nos cursos de Biologia e Medicina Veterinária. As peças também são usadas por policiais ambientais em atividades de educação. Entre os exemplares, estão: Tamanduá-bandeira; Araras-canindé; Tucanos-toco; Pavão (macho) e pavoa (fêmea); Ganso; Codornas; Ratos Twister; Lagarto teiú; Peixe pirarucu; Cobra píton-carpete. Técnica de taxidermia permite a conservação de animais mortos para fins científicos e educativos em Sorocaba (SP) Arquivo Pessoal O g1 conversou com o professor e biólogo da instituição, Ronnie Von Mateus Ferreira, que explicou a técnica, as etapas e os cuidados necessários durante o processo. "Para taxidermizar um animal, é necessária a retirada da pele (dissecação), a confecção de uma armação de arame, o preenchimento da peça com algodão hidrofóbico e outros materiais para dar forma ao corpo e, por fim, a fixação da pele sobre essa estrutura", explica. O biólogo afirma que a etapa mais difícil e delicada é a dissecação. Em um espécime de médio porte, como um rato Twister, a técnica pode levar, em média, seis horas para ser concluída. "Também são usados materiais como algodão hidrofóbico, isopor ou espuma expansiva para modelar a peça, conservantes químicos e fio de sutura ou cola para o fechamento. Os exemplares exigem manutenção ao longo do tempo, além dos cuidados básicos com umidade, poeira e excesso de exposição à luz.", finaliza. Acervo com animais taxidermizados auxilia no aprendizado de estudantes em Sorocaba (SP) Arquivo Pessoal Em Votorantim (SP), o Sítio Reino Animal também mantém um acervo de espécies taxidermizadas usadas em atividades de educação ambiental. Além disso, os visitantes podem tocar nas peças, desde que acompanhados pela equipe de monitoria (confira a imagem e o vídeo mais abaixo). Segundo a bióloga responsável pelo local, Carolina Martins Souto, existem diferentes formas de conservação. “Temos a preservação em via úmida, a preparação osteológica, isto é, montagem de ossos e esqueletos, e a taxidermia artística”, conclui. Leia a matéria completa aqui. A Uniso oferece um minicurso de taxidermia voltado a estudantes de medicina veterinária e biologia, com carga horária de oito horas. Durante a formação, os alunos recebem uma hora de conteúdo teórico e o restante do tempo é destinado às atividades práticas. De acordo com Ronnie, as inscrições ficam disponíveis durante a Semana da Biologia, realizada em Setembro, ou na Semana Acadêmica da Medicina Veterinária (SAVS), em outubro. Sítio Reino Animal, em Votorantim (SP), possui museu com animais selvagens empalhados Fernanda Cordeiro/g1 Animal taxidermizado pode 'viajar' de avião? O guaxinim empalhado adquirido por Haaland foi comprado em uma loja de itens típicos do Velho Oeste americano em Dallas, no Texas. O produto, que custa cerca de R$ 3,8 mil, segundo o site da própria loja, está esgotado. Por se tratar de um animal silvestre que não foi obtido por meio de caça, a taxidermia e a venda são permitidas no estado americano, desde que o vendedor possua uma licença para a prática. Haaland e o guaxinim empalhado comprado nos EUA. Reprodução Segundo Ronnie, no Brasil, animais taxidermizados também podem ser transportados em aviões, desde que atendam às exigências legais. Para o transporte de fauna silvestre, incluindo subprodutos, como peças taxidermizadas, é necessário comprovar a origem regular do material e seguir as normas dos órgãos ambientais responsáveis. “A legislação estabelece que os animais silvestres são protegidos pelo Estado e que a comercialização ou o transporte sem autorização são proibidos. Nesses casos, a peça deve estar acompanhada da documentação que comprove sua origem legal e das autorizações necessárias”, afirma. Além disso, a taxidermia só pode ser realizada com animais que tenham origem legal comprovada. Para isso, é necessário um documento que ateste a procedência do exemplar, como nos casos de animais encontrados mortos, apreendidos por órgãos ambientais ou provenientes de criadouros autorizados. Erling Braut Haaland carrega um guaxinim ao desembarcar do avião após a eliminação da seleção nacional de futebol da Copa do Mundo, no Aeroporto de Oslo, em Gardermoen, Noruega Jan Langhaug/NTB/via REUTERS “A legislação é rigorosa quanto ao uso de animais silvestres para evitar o incentivo ao tráfico e à caça ilegal. Não existe um documento específico que autorize a taxidermia. O que precisa ser comprovado é a origem legal do animal e a forma como ele chegou até aquele destino, seja por morte natural, acidente ou outra situação autorizada”, explica. Quando o espécime faz parte de uma coleção museológica, também é necessário comprovar o vínculo com uma instituição de ensino ou pesquisa. “É preciso demonstrar essa finalidade acadêmica, garantindo que o transporte seja realizado por um responsável habilitado”, finaliza. Acervo com animais taxidermizados auxilia no aprendizado de estudantes em Sorocaba (SP) Arquivo Pessoal Universidade em Sorocaba (SP) mantém animais empalhados para ensino e pesquisa Arquivo Pessoal Professor e biólogo Ronnie Von Mateus Ferreira explica etapas da taxidermia em Sorocaba (SP) Arquivo Pessoal *Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM